Reforma previdenciária: a batalha do Brasil

O governo está, no entanto, lutando para vender sua proposta ao público e aos legisladores. A legislação quase certamente será diluída, e a passagem por ambas as câmaras do Congresso poderá ser um processo longo e prolongado.

O que o governo está propondo? Por que isso Importa? E por que os mercados são tão sensíveis a cada reviravolta?

PROPOSTA DO GOVERNO

O projeto de lei visa economizar mais de 1 trilhão de reais (US $ 260 bilhões) nos próximos 10 anos, alterando as contribuições previdenciárias dos trabalhadores, elevando a idade mínima de aposentadoria e fechando brechas.

De um modo geral, os trabalhadores terão que pagar mais ao sistema por um longo período de tempo, e a idade mínima de aposentadoria será aumentada para 65 anos para homens e 62 para mulheres. Essas mudanças seriam implementadas ao longo de um período de até 14 anos.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, economista ortodoxo e ex-administrador de fundos que está liderando a acusação de reforma, insiste que o fracasso na revisão da previdência social acabará com o Brasil. Ele elaborou um plano ambicioso para simplificar o sistema, cuja escala é maior do que qualquer governo anterior propôs.

Guedes argumenta que as mudanças são progressivas, com os mais ricos da sociedade contribuindo mais e os mais pobres ganhando mais das mudanças.

O projeto de lei precisa ser aprovado por maioria de 60% em ambas as casas – 308 votos na Câmara dos Deputados e 49 no Senado – para ser aprovada em lei.

PESO FINANCEIRO

Os gastos do Brasil com seguridade social são de duas medidas entre as mais altas do mundo. No ano passado, representou 44% do orçamento do governo federal e 8,5% do produto interno bruto. Sem reforma, segundo o governo, os gastos subirão para 17% do PIB até 2060.

Segundo projeções do Tesouro, o déficit previdenciário aumentará para mais de 314 bilhões de reais este ano. Os economistas concordam amplamente que os déficits dessa escala são insustentáveis.

Os estados e municípios endividados também podem rastrear grande parte de seus problemas financeiros diretamente para contas inchadas da previdência social. O déficit combinado dos estados brasileiros com o governo federal é de cerca de 200 bilhões de reais.

IMPACTO ECONÔMICO, DE MERCADO

A falha em consertar o sistema destruirá a economia brasileira, alerta o governo. A linguagem parece apocalíptica e as previsões são severas, mas economistas, analistas e participantes do mercado financeiro tendem a concordar que as opções são reforma ou fracasso.

Deixar o sistema como está derrubará a economia em uma recessão profunda e prolongada no ano que vem, fará com que as taxas de juros subam e aumentem o desemprego, prevê o Ministério da Economia, enquanto a reforma impulsionará o crescimento, gerará milhões de empregos e manterá a inflação e as taxas de juros sob controle.

A reforma bem-sucedida também aumentará a confiança dos investidores no país e elevará os ativos brasileiros, dizem analistas.

O real e o mercado de ações do Brasil estavam entre os ativos de mercados emergentes mais favorecidos dos investidores no início do ano, mas esse otimismo diminuiu, à medida que as negociações no Congresso chegavam à areia movediça política.

HISTÓRIA

A reforma previdenciária tem sido a ruína de todo governo brasileiro nos últimos 25 anos.

O presidente Fernando Henrique Cardoso fez parte de uma votação no Senado de aprovar uma reforma em 1999, que teria parado, ou pelo menos retardado, o recente aumento nos gastos. Com esse fracasso estreito, a vontade política de pressionar por uma reforma ambiciosa se desfez.

A última tentativa de consertar o problema foi feita pelo presidente Michel Temer, que deixou o cargo em 1º de janeiro e cuja proposta mais recente teria gerado uma economia de cerca de 400 bilhões de reais. Esse esforço terminou em 2017, quando um escândalo de corrupção atingiu Temer, dizimando sua popularidade e atrapalhando sua agenda.

Veja como receber um salário por mês. Acesse:  https://www.inss.gov.br/tag/loas/