Quer dormir e acordar numa praia deserta? Trancoso é o esconderijo vip

A meio caminho entre Trancoso e Caraíva praia do Espelho era até pouco tempo conhecida apenas por poucos e bons. Não era uma informação que se fava em voz alta, mas uma noticia que se sussurrava no ouvido de alguém de confiança.

Hoje, não. Basta chegar de carro ao Quadrado, em Trancoso, para que algum guia mirim venha aliciar você com uma proposta de passeio: “já conhece o Espelho da Maravilha?” Convenhamos: “Espelho da Maravilha” não é um nome. É um panfleto turístico completo sintetizado em três palavrinhas. Sem guia é difícil chegar.

Como se não bastassem as péssimas condições da estrada, a sinalização é inexistente — como você adivinharia que a senha é seguir as placas indicando “Outeiro das Brisas”? Na guarita do Outeiro, um guardinha barra a entrada de ônibus. O que não impede a chegada de levas de argentinos em kombis vindas do Arraial d’Ajuda.

A praia de Curuípe, que e o nome oficial do lugar, era habitada por um mesmo clã de pescadores, que aos poucos foi sendo convencidos a vender suas casinhas aos descoladérrimos freqüentadores do lugar. As casas foram reformadas com bom gosto, sem modificar muito a estrutura original — dando a impressão que você está numa aldeia caiçara onde todos os pescadores têm assinaturas de Elle Déco e Casa Vogue.

O Espelho é a extremidade esquerda da praia, e na maré baixa reflete o sol com tanta intensidade que as embarcações avistam o ‘espelho’ do alto mai. E o Outeiro das brisas, localizado no alto da falésia, é um condomínio de altíssimo padrão, onde existe um vilarejo artificial (inspirado no Quadrado de ‘Francos aberto ao público.

Existem pousadas na vila do Outeiro, mas o grande barato é ficar rente a areia, numa das três pousadas da Praia do Espelho. Na temporada, não tem jeito: a praia vai encher de visitantes durante o dia. Mas de manhã cedo, a noite, e, sobretudo de março a dezembro, ficar no Espelho é como se hospedar numa ilha deserta, sem o transtorno de ter que pegar barco.