Pequim, a Capital das grandezas

Foi em Pequim que Kublai Khan acomodou suas quatro mulheres (e um bom tanto de concubinas) quando moveu da Mongólia para a China o trono do seu império. A cidade chamava-se, então, Cambaluc, ou Daidu (“grande capital”), e Marco Polo anotou em seus relatos que a ideia era fazer dela um “grande mercado”.

Entre todas essas grandezas do passado, o melhor jeito de começar a jornada pela China moderna é mesmo pelo centro do poder desse pais que, desde aquela época, adora uma mercadoria.

A parada é na Cidade Proibida, sede de governo e residencia dos imperadores durante cinco seculos. Agora, ostenta no porto principal, como carteirinha do Partido Comunista, a foto 3×4 gigante de Mao Tse-tung, o “grande timoneiro” da revolução de 1949 e — a simbologia é clara — fundador da novíssima e poderosa dinastia.

A fachada-carteirada e o ponto convergente da Praca Tiananmen (“paz celestial”), que reúne os monumentos mais importantes da revolução — o dos Heróis do Povo e o Mausoléu de Mao. Lugar joia pra fazer desfiles militares (chato lembrar, mas foi is que os camaradas passaram fogo em centenas de pessoas nos protestos de 1989).

Visitar a praça é programa cívico, dai que ela se encha de grupos escolares e de senhorinhas fofas, pequenas e sorridentes, vindas de remotas províncias do pais. Mas ninguém passa aperto: aos 440 mil metros quadrados de concreto da Tiananmen, a Cidade Proibida junta elegantes 720 mil, obra da dinastia Ming, no seculo 15.

Retângulo cercado de um fosso, a área nobre é fatiada em pátios, que levam a portões majestosos e, alem deles, sete grandes salões, 17 palácios e centenas de puxadinhos. A conta fica na casa dos 800 edifícios de madeira vermelho-escuro, com entalhes que desenham milhares de dragões dourados de cinco garras, símbolos imperiais.

Só os frisos e suportes colo-ridos dos telhados deixam qualquer monumento do realismo socialista no tamanco. Quem assistiu a 0 Ultimo Imperador, de Bernardo Bertolucci, já entendeu a maravilha da coisa toda. Muitas áreas são fechadas ao publico, mas não falta o que explorar.

Entre tantas escadarias de mármore, leões – de bronze c ladrilhos trabalhados estão, – por exemplo, jardins com palacetes que no passado abrigaram (elas) as concubinas. E como certas coisas não mudam, prepare-se na saída para o enxame de ambulantes vendendo “rolex” por US$ 5 a e mais um bilhão de quinquilharias.