Caraíva, um dos melhores destinos da Bahia

Isolada do resto do mundo por um rio, por uma estrada muito ruinzinha e pela inexistência de eletricidade, Caraíva é meio aldeia de pescadores, meio colônia de alternativos — e recebe uma leva de garotos e garotas festeiros nas férias de verão e de julho. As ruas não são nem de terra: são de areia.

Por elas só trafegam jegues e carroças, porque carros e motos são proibidos — você tem que deixar o seu possante estacionado do outro lado do rio. O casario baixinho aos poucos está sendo alugado ou comprado por forasteiros, que pintam as fachadas em cores vivas. Tudo é muito ecológico.

Você vai encontrar em Caraíva espécimes que julgava em extinção — geradores de energia, por exemplo. (Sim, Caraíva é um dos poucos lugares do Brasil que estavam preparados para o apagão.)

Os moradores e habitués nem percebem mais, mas o recém-chegado leva algum tempinho para se acostumar com aquele barulhinho de motor de barco, tuc-tuc-tuc-tuc, o tempo todo, em todo lugar. O asfaltamento da estrada até Trancoso preocupa os descobridores do lugar. Para ‘evitar que Caraíva vire (Deus não permita) uma segunda Trancoso, ou (vade retro) um novo Arraial, muitas condições estão sendo impostas à chegada do progresso.

No dia em que o asfalto continuar além de Trancoso, o projeto prevê que os últimos 15 km da estrada ganhem calçamento de cascalho. Se a eletricidade chegar, a idéia é que a rede seja subterrânea e a iluminação sirva apenas às casas — mantendo as ruas escurinhas e permitindo a continuação da tradição local de sair na rua de lanterna na mão.

Fora de temporada, Caraíva é tão parada quanto o seu isolamento faz supor. Já entre o Natal e o Carnaval — e um pouco em julho — Caraíva fica lotada por uma juventude disposta a ferver de noite e torrar de dia. Aliás, ser jovem é meio pré-requisito para gostar de Caraíva. (Vale “jovem de espírito” também.)

As acomodações são muito modestas, e além de enxergar charme no rústico, você sal precisar enxergar charme no desconfortável também. Trata-se de ecoturismo meeesmo: quando você se vir num quarto acanhado de pousada sem luz nem ventilador, com um barulhinho de gerador ao fundo e um barulhão de forró ao longe, lembre-se: você é um Robinson Crusoé, e todo dia é sexta-feira.